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sexta-feira, 31 de julho de 2015

Poesia no DreamCate #1


Às vezes chego a pensar, quase no limite da minha (in)sanidade mental,
Se estás desse lado, em sintonia comigo, a pensar comigo e em mim,
A sentir-me perto de ti como se nunca me tivesses perdido.
Consigo sentir, quase como se fosse real, a tua presença perto de mim,
Os teus olhos nos meus, as tuas mãos a percorrerem-me
E os teus lábios a tocarem os meus.

É
Como se parte de mim não conseguisse viver
Sem a viciante tortura de te tentar perceber,
De te tentar acolher entre braços sem fim
E gritar-te bem baixinho ao ouvido
Que está tudo bem, que nunca te perdeste,
Que foi só um sonho mau e que eu estive sempre ali,
A olhar por ti,
A tomar conta de ti.

É
Como se parte de mim só conseguisse viver
Com um medo irresistível de não querer passar o risco,
De não querer perder tudo outra vez,
De não querer ser demais com alguém,
Que bem ou mal,
Nunca seria igual,
Nem de longe nem de perto,
A ti.

Acho que é, também, por já não aguentar mais ter-te tão perto,
Quando sei, melhor do que ninguém,
Que estás a mais de muitos quilómetros de distância
De tudo aquilo que se pode esperar de alguém.


(Prometo que volto à prosa, e às pequenas histórias de sexta-feira, na próxima semana!)

segunda-feira, 18 de maio de 2015

Gostava que fosse assim.


Gostava que fosse assim:
que não tivesse que te ver todos os dias mesmo quando não estás à minha frente, que não tivesse que me lembrar de como é sentir-te junto a mim, de como é sentir o teu cheiro, com se estivesse entranhado em cada centímetro da minha pele, que não tivesse que me lembrar tão bem da tua voz e que o teu olhar não fosse assim, tão igual ao que é.
Queria desfazer-me de ti, deixar-te ir e tudo num abrir e fechar de olhos.
Fechar os olhos, bem devagar,
respirar fundo e sentir-te desaparecer,
e voltar a abrir os olhos,
sem ti.

segunda-feira, 4 de maio de 2015

Seis meses de DreamCate.

Faz hoje seis meses que ganhei coragem, finalmente, para criar o DreamCate e partilhar com quem vai estando desse lado a minha (grande) paixão pela escrita. Só passou meio ano, mas já foi o suficiente para me mostrar que tomei a decisão certa e que quero, realmente, continuar a escrever. Desde o dia 4 de Novembro de 2014 e 73 publicações depois, o DreamCate teve mais de 5500 visualizações, ganhou 117 seguidores (mais 668 no facebook) e até passou por uma renovação total que lhe deu o aspecto que ele merece. 

No meio destas 73 publicações, algumas destacaram-se e por isso vou deixar-vos os links dos três textos mais lidos até hoje:

- Come on skinny love just last the year

- A convivência

- Sei que às vezes te custa esperar

Quero muito que o blog continue a crescer, que chegue a cada vez mais pessoas e que essas pessoas se identifiquem com aquilo que eu escrevo - não há melhor recompensa do que essa. Mas também quero outras coisas com a minha escrita; gostava que um dia deixasse de estar só aqui na blogoesfera e estivesse, também, impressa num belo conjunto de folhas às quais eu pudesse chamar de livro. Um livro meu. Às vezes a ideia parece completamente descabida, mas outras vezes parece tão real que não consigo parar de escrever. Enquanto tento perceber se a ideia é descabida, se é real ou se é, simplesmente, as duas coisas, vou mostrar-vos um bocadinho do meu "sonho". Espero que gostem e que continuem a passar por cá...prometo ter sempre bons textos! :)

«(...)O Luís é daquelas pessoas que não procuramos, mas que temos que encontrar. Tem o equilíbrio perfeito entre as qualidades e os defeitos – que é provavelmente a característica mais difícil de encontrar em alguém – e por isso é quase impossível zangarmos-nos com ele. Mesmo quando ele teima em ter sempre razão, em ser o mais ajuizado e o mais rebelde ao mesmo tempo, sabem? É difícil aconselhá-lo, seja no que for, porque ele nunca ouve ninguém – já decidiu o que vai fazer há muito tempo. Acerta quase sempre e quando isso não acontece tem a humildade de o dizer – ou de se calar, se for caso disso. Acho que a melhor qualidade do Luís, e foi também a que conheci primeiro, é a invisibilidade com que está presente. Ninguém dá por ele chegar, quase ninguém se apercebe de que acabou de sair, mas toda a gente sabe que ele ali está. Não é omnipresente, mas a segurança que nos dá é – nunca mais me senti sozinha (e só) depois dele.
Conheci o Luís num dos piores momentos da minha vida, até agora. E digo um dos piores porque para mim é sempre difícil eleger o pior ou o melhor momento, quer seja da minha vida ou de qualquer acontecimento menor do dia-a-dia. Não sei explicar. Fico sempre na dúvida e quase com medo de ser injusta com todos os outros momentos. Mas sim, o Luís chegou num dos piores momentos.
Eu estava sozinha, como sempre, sentada num banco de jardim. Na verdade, estava mais só do que sozinha pois havia sempre tanta gente a passar por ali, crianças a brincar, pais a gritar e turistas, tantos turistas, a passar. Estava em frente à Sagrada Família, em Barcelona, em pleno mês de Julho, por isso era impossível estar realmente sozinha. O Luís sentou-se no mesmo banco em que eu estava sentada. Sentou-se, simplesmente, sem pedir licença e sem perguntar se estava ocupado – estaria assim tão na cara que eu estava, irremediavelmente, sozinha? Era só um banco de jardim, público, onde, na verdade, qualquer um se podia sentar. E ele era só qualquer um. Não consegui deixar de me sentir, terrivelmente, incomodada. Olhei para ele pelo canto do olho, várias vezes, na esperança de perceber porquê que ele teria escolhido sentar-se no “meu” banco. Mas só consegui perceber que era bonito, muito até, e que sorria. Sorria de uma forma que, até hoje, não sei explicar como era, mas que transmitia toda a calma do mundo – não havia nenhum fardo nas suas costas, disso tive a certeza.
E essa, na verdade, era a única certeza de que precisava quando conhecia alguém, naquela altura, mesmo que não trocássemos uma única palavra. E foi isso que aconteceu naquele dia, conhecemo-nos mas não nos falámos. Fui embora com a sensação de que alguma coisa tinha acabado de mudar. Daquelas sensações que só compreendemos, verdadeiramente, quando as percebemos como uma recordação muito tempo depois. O Luís chegou, nesse dia, sem pedir licença – é a forma mais simples e verdadeira de explicar a maneira como ele entrou, quase, definitivamente na minha vida.
(...)
Estava, mais uma vez, sozinha. Talvez estivesse sentada no mesmo banco; ou então foi só a presença do Luís que me fez ter essa sensação de familiaridade. Voltou a sentar-se, mais uma vez, sem pedir licença. Desta vez não fiquei incomodada, na verdade até fiquei satisfeita que o tivesse feito – era bom ter companhia, mesmo que fosse silenciosa.
Pela segunda vez sentia que a presença dele, ali tão perto, me deixava mais tranquila. Não é que não me sentisse nervosa com a presença dele, com o olhar dele – quando o desviava para mim – e que toda eu me desfizesse por dentro. Não é que não desejasse, mais do que tudo, que ele se apresentasse e olhasse, de vez, para mim. Não é que essas coisas todas não fossem verdade, porque o eram. No entanto, a calma que trazia com ele era como um oásis num deserto e eu estava há tanto tempo, demasiado até, num deserto sem fim. Acho que foi por isso que a primeira coisa que senti com ele, e por ele, foi a tranquilidade que transmitia.
Dei por mim a pensar como seria a voz dele; como seriam os seus olhos vistos de frente; se seria muito alto ou da minha altura. Dei por mim perdida em devaneios românticos, completamente deliciada com esta coincidência – o mesmo banco, a mesma companhia. Por momentos abanei a cabeça e tentei afastar estes pensamentos que queriam ser mais, bem mais, do que meros pensamentos. Mas depois percebi que estes devaneios eram o mais real que tinha experienciado nos últimos dois anos; percebi que pela primeira vez, em muito tempo, estava viva. Por mais platónico que fosse, naquele momento, eu estava a viver – e como era bom viver outra vez.»

segunda-feira, 13 de abril de 2015

A corrida dos Corações.


É uma corrida de corações. Dá-se bem mais do que um tudo por tudo, que um último esforço e um sprint na recta final. Ninguém fala para não se perderem sentimentos na imensidão que é uma boca; os sentimentos são precisos. O que valeria um coração vazio numa corrida de corações? (Nada).  São como pés descalços numa maratona, a desfazerem-se no asfalto a ferver. O objectivo é chegar ao fim sem falar, com os retalhos necessários, com as falhas que sentires por bem introduzir. Só te (me) peço para não ficares pelo caminho ou então, trocares tudo por uma corrida de pés descalços, onde quem chega primeiro perde.  

segunda-feira, 6 de abril de 2015

Foram quase certezas que acertamos.


Não quero chamar-te à razão, porque a razão não é de todos e eu sei que a minha nem sempre é a tua. Interpretar os teus sinais e amá-los incondicionalmente dá mais cabo da minha alma que do meu coração. Duvido do que sou e o que quero em tantos instantes, que me parece impossível não cair em cada esquina mais escura que me aparece. Não te posso estender mais a minha mão, senão lá se vai outro braço, e em vez de te ajudar poupo-te trabalho que só tu podes acabar. Abrir-te os olhos seria entregar-me demais. Seria mostrar que tenho estado sempre, ou quase sempre, no teu caminho a passar-te a mão na cabeça de cada vez que não consigo compreender as tuas certezas.
Se fosse tão fácil compreender o que te vai na alma como o que te passa à flor da pele em (quase) todos os instantes, teria sido menos difícil acertar certezas que ambos soubemos falhadas antes de as sentir, por ser tão óbvio tudo o que se passa à nossa volta. Não falhámos como toda a gente, mas ficamos sem saber se o bonito podia (ou não) continuar. Ficamos sem saber.   

segunda-feira, 30 de março de 2015

Quando eu tentava escrever contos - parte II.


Não era a primeira vez que te observava enquanto saias de casa, cabisbaixo, entre os livros que carregavas debaixo do braço. Parecia que carregavas o mundo nos ombros, como se um erro, um passo em falso ou até um desvio de olhar o fizessem desmoronar, para sempre. Nunca percebi muito bem a cruz que carregavas, ou talvez o pesadelo que vivias para que o teu rosto vivesse sempre tão fechado como um dia de Inverno.
Mas as minhas atenções não se centravam só em ti. Também havia a Joaninha, a vizinha do lado, que passava metade do dia a tomar banho e outra metade a lavar a casa, diziam que tinha medo da imundice. Mas as pessoas dizem muita coisa. A Joaninha vivia sozinha desde o dia em que o marido a abandonara e fugira da aldeia com outra mulher. Dizem que desde então passou a lavar-se com lixívia, para se purificar das marcas daquele homem traiçoeiro. Se é verdade ou não, eu não sei, até porque a Joaninha nunca se deixou levar pelas cartas de vidente da minha mãe e nunca lhe contou a vida toda, como quase toda a gente aqui da aldeia. A Ti e à Joaninha, eu observava com a atenção redobrada pois nunca vos tinha visto de perto, não tão de perto como todos aqueles que de forma assídua, e outros nem tanto, apareciam na sala das cartas da minha mãe.
Vivias na casa em frente à minha há menos de um ano, mas eu parecia conhecer-te desde sempre. Além de nunca te ter falado e nem sequer ter estado perto de ti, conhecia melhor do que ninguém os teus passos, as tuas feições, as tuas expressões e melhor do que tudo os teus olhos, que não consegui esquecer desde o primeiro dia em que te espiei, como sempre fazia na chegada de novos vizinhos à aldeia. Eram azuis e pareciam despertar a atenção de tudo aquilo em que punhas a vista em cima, como se o mundo conseguisse parar por instantes para te ver passar. Também me recordo, que nesse primeiro dia, estavas tão cabisbaixo como em todos os outros que se seguiram, que carregavas as malas como se do mundo se tratasse e pensei, por momentos, que não ia gostar nada de te observar. Mas foi só o tempo suficiente para perceber que não eras como mais ninguém, e que conhecer-te, nem que fosse de longe, era um objectivo, uma missão que não podia deixar de abraçar. Sempre foste um mistério (para mim, e não só.) Lembro-me, como se fosse hoje, das pessoas que vieram bater à porta da sala de cartas da minha mãe, na semana em que chegaste à aldeia. A Maria da mercearia, a Luísa do talho, a Clara das flores, o Senhor Eduardo e o Senhor Américo, que era e é o dono da casa em que moras. Até tive esperanças de que a Joaninha aparecesse, naquela euforia de entra e sai que se viveu cá em casa naquela semana. Todos queriam a mesma resposta, ‘o que escondiam vocês’. E a minha mãe, que sempre esteve longe de saber o que dizem as cartas, se é que dizem alguma coisa, ficou realmente aflita e temeu pela primeira vez que descobrissem que estranhas éramos nós e que ela era tudo menos vidente. Eu sempre soube que ninguém acreditava, que as pessoas começaram a aparecer por curiosidade e que se deixaram convencer pelos conselhos sábios que a vida se encarregou de deixar à minha mãe, só isso. Nunca acreditaram que as cartas, que os homens utilizavam para apostar parte do seu dinheiro aos domingos à tarde, soubessem assim tanto. A minha mãe encarnou tão bem o papel, acreditou tanto na mentira que criou que muitas vezes parecia convencida de que as cartas lhe diziam realmente alguma coisa.
Como seria de esperar ela não sabia qual era o vosso mistério por isso, e porque o trabalho o exigia, fez-me companhia na janela do meu quarto. Não sei o que conseguiu ver ou o que inventou para que toda a gente ficasse satisfeita com as respostas, e o que disse não deve ter sido bom porque todas as consultas foram dadas quando eu estava na escola, para não correr o risco de por algum acaso mais triste, ouvir alguma coisa. Mal sabia ela que tantas vezes me escondia debaixo daquela mesa e que sabia tanto da vida de toda a gente como ela própria. Até hoje não sei o que foi dito naquelas consultas, mas acho que uma boa parte de mim teme um dia vir a saber a verdade.

segunda-feira, 23 de março de 2015

Imaginar.


Imagina o meu mundo a desmoronar-se. Imagina-me, a mim, a deixar de existir. Imagina-nos, a nós, a acabar. Não queres imaginar? Eu também não. É nestas alturas que nos foge a razão, que um coração nos bate no peito com raiva por sermos, assim, tão frágeis.
Se por um lado foges tu, por tudo o que não somos e o que não queremos ser, por outro, fujo eu. Não por não querer ficar, mas por querer ser sempre mais (e demais), por sonhar que um dia, vamos ser diferentes. Mas não vamos pois não? Pelo menos não vamos ser mais do que o que já somos. Isso não chega. Não chega. Se chegasse seriamos todos felizes, mas não somos.
Podíamos recriar a nossa felicidade. Aposto que isto já queres imaginar, não queres? Eu também. Imagina-me entre sorrisos e vontades, que eu sei, que podem ser nossos. Guarda-nos dentro do peito, para que um dia eu possa ir embora. Enquanto isso eu vou viver, porque imaginar dá com o meu coração em doido.

segunda-feira, 2 de março de 2015

Sentir aos 17.


Eu não quero que me pegues na mão como quem me quer levar, não quero que te desfaças em palavras só para eu ter noção do que te vai na alma, nem que me sufoques com as minhas vontades. Não quero ouvir a tua voz todos os dias para não me esquecer das tuas palavras, nem sentir a tua pele para poder morrer de saudades.
Não quero que me faças sofrer de cada vez que eu me quiser só para mim, de cada vez que eu sinta uma vontade diferente.
Sabes, só não quero que percas as minhas certezas entre palavras e pensamentos, que as vendas em troca do meu amor.
Em vez disso, podes encostar a tua cabeça no meu ombro e sorrir as tuas alegrias sem cobrares a certeza do amanhã e do depois. Podes ficar o tempo que quiseres, desde que não me tires de mim. Podemos sentir, só. Eu quero.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2015

Quando eu tentava escrever contos.


Não era a primeira vez, e provavelmente não seria a última, que eu chegava a casa e te via sentado no sofá, a delirar o álcool que te corria nas veias, como se para ti o mundo não passasse das tuas garrafas de vodka, que escondias, quase com carinho, debaixo da nossa cama. Debaixo da cama onde fazíamos amor, onde dormíamos abraçados, antes do álcool te corromper o corpo, e pior do que isso, a alma.
A partir do momento em que te deixei entrar na minha vida e te trouxe para minha casa, soube que a nossa vida não seria um mar de rosas, que a nossa relação não ia ser ”um para sempre” bonito dos filmes, nem um ” por enquanto” miserável e precário da vida real. Soube-te perdido desde o primeiro segundo, soube-te perdido desde a primeira noite, em que adormeceste tu, abraçado a mim, como uma criança, que dorme na cama dos pais porque tem medo do escuro. Soube-me perdida, também, de amores pela tua fragilidade, pela tua dependência que me inspirava um instinto maternal, que eu julgava não existir dentro de mim. Percebi que era demasiado forte para te deixar ir embora, para te deixar sozinho, quando precisavas tanto de alguém. E assim foi. Foste ficando e ficando, até que trouxeste todas as tuas tralhas e passamos a dizer “a nossa casa” em vez de “a minha casa”.
Ainda me lembro da primeira vez em que te encontrei mergulhado nesse sofá, a sofrer a tristeza que o álcool (também) consegue trazer. Para além da pena que senti, lembro-me de te ter despido e de te ter posto debaixo do chuveiro, de teres chorado e de me teres pedido desculpa. Lembro-me de ter chorado também, muito, de me ter desfeito das garrafas que deixaste espalhadas pela casa e de ter prometido a mim mesma que seria a primeira e a última vez que uma situação dessas acontecia contigo. Nesse dia, percebi que me estavas a fugir por entre os dedos desde o início, que nunca tinhas estado só comigo, e que o álcool era o teu porto de abrigo mais próximo.

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2015

A Raiva.


Apetece-me dizer tudo o que me vem à cabeça. Apetece-me fazer coisas idiotas, muitas coisas idiotas. Quero gritar o sangue que me corre na alma. Ai não, o sangue corre nas veias, mas de qualquer maneira apetece-me gritar seja lá o que for que vive na minha alma. Talvez nem seja nada. Se calhar é só mais uma invenção da minha cabeça (ou do meu coração?). Apetece-me dançar sem música, desfazer-me em movimentos que não existem. Ligar a torneira da água quente, despir-me e deixar que ela me queime, por fora e por dentro. Transformar esta raiva em nada, enquanto caio sem saber onde nem porquê. Enquanto isso vou gritando com a esperança de que alguém apareça, me levante, me dê um par de estalos e me deixe a sofrer num canto qualquer. E que se vá embora a carregar a minha raiva, que sinta vontade de a gritar, se desfaça dela e volte. Volte para me abraçar e para me levantar de vez.

sábado, 14 de fevereiro de 2015

VI Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho".


Hoje acordei com uma boa notícia. Um email da Chiado Editora a comunicar-me que um poema meu tinha sido seleccionado para fazer parte da VI Antologia de Poesia Contemporânea "Entre o Sono e o Sonho". Esta Antologia vai reunir poemas de vários poetas Portugueses e o lançamento será em Março, por isso em breve vou falar-vos mais sobre este assunto.

O poema já foi publicado no blog. Vamos recordá-lo? Acho que merece! :)

Eu não estou sempre aqui.
Raramente estou em mim, mesmo quando te sorrio e te passo a mão na cabeça.
Eu não estou sempre aqui.
Até quando danço e me desfaço no meio de ti
E nos momentos em que me esqueço de tudo
Eu não estou sempre aqui.
Nem quando falo pelos cotovelos e me rio em gargalhadas até não poder mais
E mesmo quando choro e insisto em dizer que estou triste
Eu não estou sempre aqui.
Mesmo quando gostas de mim.

sexta-feira, 6 de fevereiro de 2015

Quando os corações correm.


É uma corrida de corações. Dá-se bem mais do que um tudo por tudo, que um último esforço, e um sprint na recta final. Ninguém fala para não se perderem sentimentos na imensidão que é uma boca. Os sentimentos são precisos. O que valeria um coração vazio numa corrida de corações? (nada). São como pés descalços numa maratona - a desfazerem-se no asfalto a ferver. O objectivo é chegar ao fim sem falar, com os retalhos necessários, e com as falhas que sentires por bem introduzir. Só te (me) peço para não ficares pelo caminho. Ou para não trocares tudo por uma corrida de pés descalços, onde quem chega primeiro perde. 

segunda-feira, 2 de fevereiro de 2015

O Amor aos 17.

Não é todos os dias que dizem que te amam do fundo do coração. Mas também não se diz por aí com frequência, que para além desse sentimento todo, é preferível ser um para o outro o estritamente necessário. Até dá a sensação de que não querem ser felizes, ou pelo menos tentar. É estranho. E é estranho porque toda a gente se habituou a ser demais. O namorado e a namorada. O amor e a paixão. É uma preocupação desmedida em dar um nome às coisas, como se elas nos pudessem fugir por não terem um rótulo. E aquela necessidade obsessiva de andar de mãos dadas e de dizer a toda a hora o que sentem. É verdade que me enerva, além de achar que é muito bonito, de facto. Mas enerva. Parece que deixamos de ser um e passamos a incorporar de uma só vez dois corpos, duas almas. Ah, esqueci-me por momentos que realmente, é essa a intenção destas histórias: ser sempre e para sempre um só.
Mas se é, eu começo desde já a criar uma história só para mim. É que para além de tudo isso dar um trabalho enorme, é uma grande treta. Ou ainda há por aí alguém que acredite no “para sempre”? Eu até acho bonito, não haja dúvida, mas não acredito. Não acredito que duas pessoas que se rotulem por iniciativa própria, que andem de mãos dadas todos os dias e que digam coisas bonitas ao ouvido uma da outra possam durar para sempre. No entanto, acredito que o amor pode durar. O bonito e o verdadeiro vive para sempre em nós. As relações? Essas voam e morrem na rotina em que todos caímos, mais cedo ou mais tarde.
À parte isto tudo, vive em mim e em toda a gente uma vontade desmesurada de conjugar o verbo sentir e viver ao mesmo tempo.

sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Até amanhã, meu coração.


Não tenho ciúmes de quem te percorre o corpo e te faz ferver, de quem se atira nos teus braços e te tira de ti (mim). De quem te quer tanto como eu e até te tem mais tempo por perto, enquanto eu me perco sozinha e me esqueço de ti (nós). Arrisco-me até a dizer que nunca tive ciúmes antes, mas agora, tenho um medo terrível que alguém se mude de mala e cunha, e ocupe esse teu coração. Que seja estendida a toalha e o jantar seja servido todos os dias, religiosamente, à mesma hora. E que tu, sejas servido.
E que quando ele deixar de ser servido, tu não voltes, nunca mais. E que eu me mude, quase definitivamente para outro coração, sem me dar conta que no teu, ainda havia espaço para mim. Que sempre tinha havido, e já seja tão tarde para eu voltar que me vá doer tanto que eu não consiga ficar sem ti por perto, que eu sofra o amor em vez de o viver sem pensar, de o fazer todos os dias de manhã ao acordar, entre palavras e corações. Entre o meu sorriso e o teu, um beijo e um abraço. Sem nunca ouvir um, Até amanhã, meu coração.


segunda-feira, 19 de janeiro de 2015

É a vossa vez, a minha fracassou.


Se hoje me corre nas veias o suor que gastei para vos mudar, amanhã, vai correr o cansaço que (quase) nunca valeu a pena. Graças a alguma coisa, já não há vontade de remar contra marés nem de me matar em esforços para nada. Desculpa se mesmo quando te tenho à minha porta, só para mim, te dispenso sem palavras. Dispenso a vontade de teres vindo, o brilho dos teus olhos, o calor da tua boca e até o sentimento, que pode ser pequenino, mas que guardas no coração, como que com vontade de me agradar. Desculpa-me pela necessidade que tenho de estar sempre a tentar ultrapassar alguma coisa, mesmo que eu só tente ultrapassar a “minha desculpa” para não ter que te sorrir e dizer que está tudo bem. Para que eu possa sempre ter um pé atrás e outro à frente, no caso de me decidir por ficar. E é só na ressaca dos meses que passam, que te percebo no meio das minhas recordações como mais que qualquer uma delas, mas chegou a minha vez de me sentar e de viver mais na minha do que na tua vida.

CateAndrade

quarta-feira, 14 de janeiro de 2015

Nunca soubeste lidar comigo.


Nascem e morrem de repente. Nem sei que nome lhes dar. Fazes parar as minhas sinapses, perco-me de mim e sei tão bem o que dizer que não digo. Soltam-se os sentimentos mais puros e mais feios que conheço, em gestos e olhares. As palavras morrem antes de nascer. Fazes de mim um figurante quando sabes melhor que ninguém que o protagonismo é para mim agora. As lágrimas enchem-me os olhos, obrigado por fazeres de tudo para nunca me esquecer delas. Nascem umas atrás das outras, como células cancerosas, sem programação de morte. Revejo-me por dentro vezes sem conta, chego mesmo a odiar tudo, até que percebo que és tu que vês mal, que só olhas para o que não sei fazer melhor. Que me lês os defeitos como quem me lê a alma de raspão, como quem não me conhece nem com os olhos de ver por fora. Nunca soubeste lidar comigo.

CateAndrade

quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

Pensei em ficar calada.

Pensei em ficar calada, o que costuma ser sempre conveniente quando digo disparates, ou então quando digo coisas que as pessoas não gostam de ouvir(o que não têm que ser necessariamente disparates), mas acho que não devo. A verdade, é que eu acordo e adormeço muitas vezes com a sensação de que ficaram coisas por dizer, por fazer, que devia ter vivido mais uma hora neste ou naquele dia, que devia ter mandado o tempo parar para eu não me atrasar (ainda mais). Sinto que devia, ou que me fazia bem, gostar tanto de “vocês” como de mim, que devia ter tantas saudades “vossas” como minhas, quando fico para trás num dia, numa semana ou num mês qualquer.  Mas não, sinto-vos indiferentes, e isso vai-me incomodando, vai-me comendo a cabeça e faz-me pensar em tantos porquês, que chego mesmo a perder-me. Acho que também gostava que os “vossos” sorrisos fossem realmente sinceros, que eu pudesse até confiar neles, não gosto quando tenho que duvidar. E preferia que o meu coração soubesse de cada vez que vai ter que bater mais depressa, para eu puder controlar os meus olhos, o meu sorriso, as minhas palavras e tudo aquilo que me possa, eventualmente, denunciar. Também já devias saber, que eu não quero que me vejas nunca mais (e tu sabes).

CateAndrade

Este texto é antigo, muito antigo, mas actual na revolta de quem não se cala, seja de que maneira for.
#JeSuisCharlie #CharlieHebdo

sábado, 3 de janeiro de 2015

Mas gostava de estar.


Eu não estou sempre aqui.
Raramente estou em mim, mesmo quando te sorrio e te passo a mão na cabeça
Eu não estou sempre aqui.
Até quando danço e me desfaço no meio de ti
E nos momentos em que me esqueço de tudo
Eu não estou sempre aqui.
Nem quando falo pelos cotovelos e me rio em gargalhadas até não poder mais
E mesmo quando choro e insisto em dizer que estou triste
Eu não estou sempre aqui.
Mesmo quando gostas de mim.

CateAndrade

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

Para Sempre.


Não há ninguém que não pense, nem que seja por um minuto inconsciente, por fracções de segundo conscientes, que o mundo que gira à nossa volta hoje, que os momentos que nos preenchem a alma durante escassos minutos e nos envolvem num sorriso que nos faz esquecer que há dois(quem diz dois diz um ou menos) minutos atrás o mundo nos caia em cima por termos esquecido, sem querer, alguém, que tudo não possa durar para sempre.

CateAndrade

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

As Saudades.


Tenho(entre outras coisas, que nos ficam dentro de parênteses e entre vidas que não fomos capazes ou não quisemos viver, uma coisa, que não sei se chamar-lhe falta seria chamar-lhe bem. corro o risco, como das outras vezes, de ser uma ferida, um arranhão na alma, que amanhã, já sarou, como se nunca tivesse sequer acontecido. aconteceu?)saudades.

CateAndrade
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